quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O Chalet da Memória, de Tony Judt

O Chalet da Memória é a história (verdadeira) de um homem, melhor de um escritor, que se despede (e se desprende) cada noite do que tem de mais seu, a memória. Todas as noites, acorrentado a um corpo quase inerte, veste de palavras um tempo que a doença tornará irrecuperável.
Apesar de retratar a experiência particular de um escritor, todos nós, comuns mortais, conseguimos identificar-nos com a dor da perda de um bem precioso.
Neste sentido, a leitura de O Chalet da Memória torna-nos mais humanos porque, se por um lado, nos dá a ver uma situação-limite, por outro, conta-nos o que todos nós já sentimos ou viremos a sentir.
S.N.


quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Ernest Hemingway, de Hans Peter Rodenberg

O semanário Expresso lançou mais uma edição da série "A Minha Vida Deu Um Livro". Trata-se de uma coleção de biografias de personalidades marcantes, cujo simpático formato de bolso convida a ler no comboio, no jardim, na sala de espera do consultório ou onde quer que o nosso dia a dia nos leve.
A personalidade que faz a capa do primeiro volume da nova série é um escritor norte-americano do século XX.
É verdade, em muitos casos, que a vida de um autor raramente é proporcional à excecionalidade da sua obra. Contudo, a biografia de Hemingway desmente a regra. A sensibilidade, a franqueza, a simplicidade e as inquietações do seu estilo encontramo-las também na sua vida.
Se os seus romances são o palco das aventuras de heróis boémios, solitários, bravos e galantes, a biografia também revela um Hemingway mulherengo, arrebatado e corajoso.
Quem gosta de heróis imperfeitos e vidas aventurosas, encontra-os neste livro.
S.N.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

quarta-feira, 8 de junho de 2011

O tempo entre costuras, de María Dueñas

O tempo entre as costuras é, nas palavras de Fernando S. Dragó, "um romance como os de antigamente".
Trata-se de um bom companheiro para quem gosta de passear pelo passado, imaginando que percorre as ruelas de Tânger (mesmo estando sentado em Lisboa, frente ao Tejo, no Cais das Colunas) ou as grandes avenidas de Madrid durante a Guerra Civil (mesmo vivendo num Portugal em guerra económica).
Olhando para o título, é inevitável associar as linhas do texto aos pontos, pespontos e alinhavos que Sira, a modista que protagoniza esta história de amor, traição, espionagem e guerra, vai tecendo à medida que cresce, amadurece e se transforma aos nossos olhos ávidos de leitores.
Recomendo a quem gosta de histórias habilmente construídas e minuciosamente documentadas.
Ora vejam a frase de abertura e digam se não apetece descobrir a história:

"Uma máquina de escrever arruinou o meu destino."
S.N.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Snu e a vida privada com Sá Carneiro, de Cândida Pinto

Quem nos diz que as paixões imensas e as histórias de amor avassaladoras são um produto exclusivo da ficção cor-de-rosa ou das produções hollywoodianas bem embrulhadas em fogo-de-artifício sensual, banda sonora xaroposa e cenários de sol, palmeiras e mares translúcidos talvez não conheça muito da Humanidade.
O último livro de Cândida Pinto prova-nos que a vida é bem mais surpreendente e rica do que a imaginação ficcional, quando nos revela o extraordinário encontro de Snu Abecassis e Francisco Sá Carneiro, duas figuras públicas que viveram um amor "fora da lei" num Portugal pouco dado à transgressão de costumes.
Vale a pena ler e perceber quão assombrosos e imprevisíveis são alguns encontros...
S.N.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Pequena Abelha, de Chris Cleave

Aclamado pela crítica e pelo público, Pequena Abelha, pareceu-me logo nas primeiras páginas um daqueles livros destinados a transformar-se em filme. O ritmo narrativo, a qualidade das descrições, a estranheza das personagens e a originalidade da história são um convite irrecusável, em primeiro lugar, à leitura para desvendarmos o final misterioso e, em segundo lugar, àquela imaginação galopante que nos faz escolher banda sonora, cenário, actores e realizador para o filme que gostaríamos de ver num cinema perto de nós.
Quem me recomendou o livro, disse-me "o final é surpreendente e muito especial", e, de facto, a história de dois destinos que se cruzam e obrigam a uma escolha terrível (com todas as consequências que as decisões difíceis sempre trazem) prendeu-me e levou-me a acreditar que o desfecho seria extraordinário. No entanto, para meu espanto, o final foi decepcionante como aqueles embrulhos deslumbrantes que, depois de abrimos, revelam apenas uma caixa de papelão, sem cor, sem vida. Porém, vale a pena a leitura se conseguirmos fazer o exercício seguinte: parar na página 250, respirar fundo e criar o nosso próprio final.
S.N.

Rosa Brava, de José Manuel Saraiva

Para quem entende que a História é, muitas vezes, a melhor das matérias que a imaginação romanesca pode "manipular", o romance histórico oferece um festim de leitura e um autêntico deleite. Em Rosa Brava descobrimos o Portugal do século XIV, os seus conflitos internos, as guerras com Castela, as intrigas da corte, as traições e os assassínios. No centro do romance está Leonor Teles, figura controversa e mal-amada, talvez pela sua irreverência, destemor e sensualidade, qualidades pouco usuais numa mulher do Portugal de trezentos. O talento descritivo do autor faz-nos viajar no tempo e passear pelos corredores do poder como observadores privilegiados.
S.N.