quarta-feira, 4 de maio de 2011

Pequena Abelha, de Chris Cleave

Aclamado pela crítica e pelo público, Pequena Abelha, pareceu-me logo nas primeiras páginas um daqueles livros destinados a transformar-se em filme. O ritmo narrativo, a qualidade das descrições, a estranheza das personagens e a originalidade da história são um convite irrecusável, em primeiro lugar, à leitura para desvendarmos o final misterioso e, em segundo lugar, àquela imaginação galopante que nos faz escolher banda sonora, cenário, actores e realizador para o filme que gostaríamos de ver num cinema perto de nós.
Quem me recomendou o livro, disse-me "o final é surpreendente e muito especial", e, de facto, a história de dois destinos que se cruzam e obrigam a uma escolha terrível (com todas as consequências que as decisões difíceis sempre trazem) prendeu-me e levou-me a acreditar que o desfecho seria extraordinário. No entanto, para meu espanto, o final foi decepcionante como aqueles embrulhos deslumbrantes que, depois de abrimos, revelam apenas uma caixa de papelão, sem cor, sem vida. Porém, vale a pena a leitura se conseguirmos fazer o exercício seguinte: parar na página 250, respirar fundo e criar o nosso próprio final.
S.N.

Rosa Brava, de José Manuel Saraiva

Para quem entende que a História é, muitas vezes, a melhor das matérias que a imaginação romanesca pode "manipular", o romance histórico oferece um festim de leitura e um autêntico deleite. Em Rosa Brava descobrimos o Portugal do século XIV, os seus conflitos internos, as guerras com Castela, as intrigas da corte, as traições e os assassínios. No centro do romance está Leonor Teles, figura controversa e mal-amada, talvez pela sua irreverência, destemor e sensualidade, qualidades pouco usuais numa mulher do Portugal de trezentos. O talento descritivo do autor faz-nos viajar no tempo e passear pelos corredores do poder como observadores privilegiados.
S.N.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Carta a D. Luís sobre as vantagens de ser assassinado, de Fialho de Almeida

Ouvia, há dias, na rádio TSF, um programa sobre Fialho de Almeida e o entusiasmo dos intervenientes a respeito desta figura da literatura portuguesa do século XIX despertou-me a curiosidade.
Sabia que havia algures numa das estantes lá de casa, arrumados numa ordem (cromático-estética) que ninguém entende senão eu, dois ou três livros do autor. Com efeito, na última e mais vertiginosa prateleira lá descobri os Contos, Literatura Gagá e Carta a D. Luís sobre as vantagens de ser assassinado. Escusado será dizer que o espantoso e sugestivo título do último volume funcionou como um íman.
A ironia assassina, a imaginação delirante, a originalidade e inventividade linguísticas, o tom cómico e mordaz das descrições foram, ao longo de 36 páginas, um poderoso estímulo à gargalhada permanente.
Ora vejam o que diz o narrador a D. Luís:
"Oh meu senhor, habilite-se! Uma reles bomba que seja. (...) Não faça caso das precauções da medicina, venha à cidade repontar c'o Zé Povinho, chamar-nos tipos, dar canelões nas nossas mulheres - fazer enfim pelo tirázio enquanto é tempo. Nestas coisas de martírio, só a primeira abordagem custa um pouco. Que transtorno faria a V.M. um balázio, sabendo a ovação que abichava depois de morto?
Ah, que vida monótona tem sido a de V. M... jantarinhos de canja magra no quarto, violoncelo quando vão artistas de S. Carlos, e como hors-d'oeuvre, a pouca vergonhazinha extra matrimonial às quintas-feiras!... V. M. carece de sair quanto antes dessa apatia."
S. N.

quarta-feira, 16 de março de 2011

O Que o Cão Viu, de Malcom Gladwell

Diz-se deste autor que é o "pensador mais influente do mundo", "um verdadeiro génio como contador de histórias", "um talento singular". Recomendações tão entusiásticas e laudatórias tiveram, obviamente, o condão de me fazerem querer confirmar-lhe o mérito.
Devo confessar que fico sempre um pouco de pé atrás quando leio as frases bombásticas de críticos de nomeada que os editores aproveitam para compor as contracapas dos livros dos seus autores-revelação. Porém, lida a obra, admito que me impressionaram a simplicidade e a clarividência de Malcom Gladwell na abordagem de temas tão aparentemente banais, insípidos e sem história como a coloração para cabelo, a pílula contraceptiva, a espionagem, o génio, os perfis criminais ou as entrevistas para emprego.
O livro recolhe os artigos preferidos do autor, escritos desde 1996 e publicados na revista The New Yorker. Dividido em três partes de títulos bem sugestivos ("Obsessivos, pioneiros e outras variedades de génios de segunda ordem", "Teorias, previsões e diagnósticos" e "Personalidade, carácter e inteligência"), o livro dá-nos respostas surpreendentes àquelas perguntas tantas vezes tão óbvias ou tão simples que nem nos incomodamos em formular.
Já algum dia se deram ao trabalho de perguntar: "As pessoas inteligentes estão sobrevalorizadas?". Leiam a resposta de Malcom Gladwell. Nem preciso de vos dizer que é, no mínimo, inesperada...
S.N.

terça-feira, 15 de março de 2011

Fortaleza Digital, de Dan Brown

Achei bastante interessante a temática desta obra, particularmente o modo como a acção se vai desenrolando.
Considero fantástica a maneira como o narrador descreveu as salas, os compartimentos, os programas, enfim, tudo o que diz respeito à organização secreta da qual o livro trata e, no final, gostei da volta extremamente coerente na história que conduz a um criminoso muito longe de quem se esperava.
Pode não parecer, mas este livro está mais próximo da verdade do que qualquer um de nós pode imaginar. É assustadoramente real, cheio de honra e desonra, paixão e convicção, vida e morte e amor a um país. É inevitável a conclusão a que cada um de nós chega intimamente: a complexa simplicidade do que está certo e do que está errado e poder do amor são as únicas fontes da nossa esperança.
O que menos apreciei foram as constantes mudanças de espaço, mas reconheço que são necessárias para uma melhor compreensão da obra, visto que a acção se desenrola em diversos sítios ao mesmo tempo.
Aconselho esta obra que está muito bem escrita e possui um tema bastante interessante: as novas tecnologias e a sua relação com a violação da privacidade e as conspirações.
Ao lermos este romance, percebemos melhor tudo o que a tecnologia nos ajuda a descobrir e também compreendemos como o seu avanço pode melhorar ou piorar o presente e o futuro da Humanidade.
Margarida Silva, 11.º B

Na pista de um rapto, de Harlan Coben

Esta história é um thriller cheio de suspense e o que mais cativa é que o autor nos leva a mudar, repetidamente, a nossa orientação de raciocínio. Primeiro parecia que o rapto era a consequência de um assalto que terminou mal, depois que se tratava de um rapto que acabou em homicídio e, no decorrrer da história, o autor cruza uma série de outras histórias que, à partida, parecem nada ter a ver com a situação de Tara, mas que passado um tempo começam a fazer algum sentido, para chegarmos ao fim e percebermos que o rapto foi a consequência de um conjunto de acções erradas que, supostamente, eram feitas pela razão certa.
Consegui ver em Mark aquilo que a maioria dos pais faria... A dedicação em encontrar a filha, fazendo o possível e o impossível para encontrar a menina. Algo que também despertou a minha atenção foi o final do livro, quando Mark e o casal que, entretanto, tinha ficado com Tara, decidiram criá-la em conjunto, para que ela não se tivesse que afastar daqueles a que agora chamava pais e para não a afastarem do verdadeiro pai.
É um livro que aconselho a todos.
Sara Costa, 11.º B

O Perfume, de Patrick Suskind


Gostei bastante da obra O Perfume pois trata-se de uma história completamente diferente daquelas que costumamos ler. É uma história estranha, entusiasmante, com um final surpreendente e que prende a atenção do leitor. As descrições apresentadas descrevem na perfeição os odores que pretendem transmitir.
É no geral um livro muito interessante, bastante distinto de todos os outros, que nos ensina vários aspectos acerca de cheiros e odores, e que nos faz compreender como o comportamento da sociedade e de todos os que nos rodeiam, nos consegue marcar, na medida em que Grenouille se compromete a criar um perfume único, para chamar a atenção e ser reconhecido pela sociedade. Por outro lado, Grenouille é também um ser que despreza os outros seres humanos, apenas interessando-se pelos odores do mundo e pela busca de um perfume absoluto, o qual seria o seu propósito de vida.
Para finalizar, considero a história tão intensa, envolvente e perturbadora, e o seu protagonista tão puramente e inocentemente descrito, que tomamos seu partido e nos esquecemos que ele, realmente, é um assassino.
Ana Saltão, 11.º B