quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Dez Mil Guitarras, de Catherine Clément


Há livros que nos conquistam, de forma fulminante e até talvez um pouco irracional, por aparências que, como todos sabemos, podem ser enganadoras (quantas vezes estas seduções imediatas não escondem decepções...).
O meu "caso" com este livro começou pelo título, Dez Mil Guitarras. Quando o li soou-me a poesia, a música, a pintura. Com todas estas artes misturadas, construí logo uma história fabulosa. Claro que não me ia deixar conquistar "ao primeiro título", precisava de provas. Abri na página 13 e li as últimas duas linhas... Fiquei rendida: "Quando o sol se ergueu sobre o campo de batalha, ficaram dez mil guitarras na areia, abandonadas em Alcácer-Quibir."
Recomendo a quem gosta de histórias fabulosas, cheias de descobertas, viagens, magias e encantamentos.
S.N.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Os homens que odeiam as mulheres, de Stieg Larsson

Recomendaram-me, há largos meses, este estranho policial. Olhei para o título (no mínimo exótico), para a sombria fotografia da capa, para o aviso amarelo "10.ª edição", para o número de páginas impressas (539!) e deixei-o na estante da livraria.
Quem consegue, hoje, com as vidas tão cheias de pressa e os dias tão agitados, ler um livro de mais de cinco centenas de páginas?
Não sei bem como nem porquê, mas dei comigo há dias a contrariar esta primeira recusa. (Ah! Afinal lembro-me porquê. Uma amiga disse-me "Como eu gostava de ser como a Salander e resolver algumas vinganças tão eficazmente!"). A curiosidade venceu-me e li o livro quase de um só fôlego, madrugada dentro, esquecida de que às oito horas e quinze minutos teria que estar na aula, acordada e vigilante... Claro que nos dias seguintes, sob o efeito de uma poderosa insatisfação, devorei os restantes dois volumes da trilogia Millenium, A rapariga que sonhava com uma lata de gasolina e um fósforo e A rainha no palácio das correntes de ar.
Recomendo, vivamente.
S.N.

Os Pioneiros, de Luísa Beltrão

Para quem gosta de histórias dentro da História, de observar as vidas de pessoas que de facto existiram, aqui fica a recomendação d' Os Pioneiros, primeiro volume de uma tetralogia que acompanha sucessivas gerações de uma família.
É uma forma quase íntima de viver o passado, os acontecimentos históricos e os ambientes, como se deles fizéssemos parte.
Ler Os Pioneiros é como ouvir as histórias de família tantas vezes contadas e recontadas na nossa infância, aquelas que nos fazem rir de um tio desastrado, sonhar com um irmão aventureiro, tremer face a um avô severo...
S.N.

As Pequenas Memórias, de José Saramago

Muito se tem escrito sobre José Saramago, recente prémio Nobel da Literatura, e sobre a sua vasta e diversa obra. Amado ou odiado por razões quase sempre alheias à sua qualidade literária, Saramago revela-se-nos de forma comovente e enternecedora nesta breve evocação da infância.
Esqueçam as polémicas, as convicções políticas, as opiniões controversas e descubram Saramago menino.
Aqui fica, para aguçar o apetite, um excerto da obra:
Tu estavas, avó, sentada na soleira da tua porta, aberta para a noite estrelada e imensa, para o céu de que nada sabias e por onde viajarias, para o silêncio dos campos e das árvores assombradas, e disseste, com a serenidade dos teus noventa anos e o fogo de uma adolescência nunca perdida: "O mundo é tão bonito e eu tenho tanta pena de morrer."Assim mesmo. Eu estava lá.
S.N.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Crónica dos Bons Malandros, de Mário Zambujal


Crónica dos Bons Malandros, tal como o nome indica, é uma espécie de crónica de um assalto que correu mal. Depois de nos apresentar a quadrilha, o narrador dedica um capítulo a cada elemento, contando a sua história e as circunstâncias que o tinham levado à quadrilha. Assim, vamos conhecendo cada um dos malandros, vítimas da sociedade e das circunstâncias da vida. Vão sobrevivendo fazendo pequenos furtos, mas um dia recebem uma proposta tentadora, para assaltarem o museu Gulbenkian. Depois dos receios iniciais, devido à reconhecida incompetência, decidem aceitar o "trabalho" que lhes iria garantir a "reforma". Só no último capítulo temos acesso à descrição do assalto, que corre mal e que acaba com a morte de Renato e Marlene.
Trata-se de uma obra marcada pela simplicidade da escrita e, sobretudo, pelo humor provocado pela linguagem e pelas cenas caricatas em que as personagens se vêem envolvidas.
No final, podemos concluir que afinal, até há bons malandros, pois não podemos deixar de sentir pena das personagens.

João Bentes, 10.º A

O enigma e o espelho, de Jostein Gaarder


Não é habitual falar-se de morte, nem propriamente da vida, e este livro relembra-nos que temos de coexistir com esses temas, e também com perguntas sobre a existência ou não de vida após a morte, do pensamento, da alma humana, dos nossos sonhos. O importante da leitura desta história é o facto de nos mostrar uma realidade que nos diz que se falarmos com as crianças sobre a morte, a doença e tudo o que é importante na vida, elas tornar-se-ão mais receptivas aos problemas e às dúvidas.
A história faz-nos pensar e põe-nos no lugar de uma criança que, embora muito pequena, já enfrenta uma doença e até a morte. O escritor, ao introduzir visitas e diálogos de um anjo com uma menina, e ao transformar, no final da história, a menina num anjo, ajuda a encarar a morte de uma maneira mais esperançada.

Joana Pereira, 10.º A

O amor está no ar, de Dorothy Koomson

Este é um livro bastante leve, bastante fácil de ler, e que desde as primeiras palavras me agarrou. Apesar disso, estava à espera de algo diferente. Quando li a sinopse pensei que fosse um livro mais mágico. No entanto, o livro não tem nada disso. Sinceramente, não creio que Ceri seja a personagem apresentada na sinopse. Conhecêmo-la bastante bem ao longo do livro o que está muito bem feito. É apenas uma mulher normal que tem o dom de ajudar as outras pessoas, o que a torna diferente, mas ainda assim uma mulher igual às outras.
Este livro é extremamente engraçado. A autora escreve de forma emocionante e simples. Trata-se de uma obra divertida, sem quaisquer preconceitos, cuja leitura aconselho.

Ana Nascimento, 10.º A