quarta-feira, 1 de abril de 2009

A ESTRELA DOS DESEJOS - UMA EXCELENTE OPÇÃO PARA O DIA INTERNACIONAL DO LIVRO INFANTIL




No dia 2 de Abril, comemora-se o DIA INTERNACIONAL DO LIVRO INFANTIL. É sempre oportuno relembrar a importância da leitura na infância: Ler estimula intelectualmente a criança, contribui para o alargamento do vocabulário e domínio do real. Ler desenvolve a imaginação e a criatividade, ajuda a resolver problemas... Ler transforma os sonhos em realidade... Ler ajuda a crescer!
Deixamos-lhe a sugestão de uma excelente história infantil para assinalar esta data:
A ESTRELA DOS DESEJOS, texto de M. Christina Butler e ilustração de Frank Endersby

SINOPSE
O Ratinho Cinzento e o Ratinho Castanho são os melhores amigos do mundo; estão sempre juntos e partilham tudo entre eles. Certa noite, vêem uma Estrela dos Desejos muito cintilante a cair na direcção do lago. Os dois amigos apressam-se, rio abaixo, para a encontrar. Mas há um grande, grande problema: há apenas uma estrela, e ambos os ratinhos querem pedir um desejo . . .
Uma história especial sobre a amizade e a importância de partilhar. “Um presente ideal pela sua enternecedora mensagem de amizade. Obrigatório em qualquer estante!” – The Good Book Guide

domingo, 29 de março de 2009

A Ilha na Rua dos Pássaros, de Uri Orlev



Sinopse:


A Segunda Guerra Mundial está em curso. Os tempos são difíceis na Polónia, especialmente para os judeus. Alex é judeu e tem onze anos. Quando a sua mãe desaparece e o pai é “seleccionado” pelo exército alemão para ir para um destino desconhecido, Alex, completamente sozinho, é obrigado a refugiar-se num edifício abandonado na Rua dos Pássaros onde vai aguentar um Inverno. Pacientemente, sem pressas, Alex vai sobrevivendo, enquanto espera o regresso do pai. Por um nicho de luz, Alez consegue vislumbrar os escombros, a degradação e miséria total a que aquela terra, outrora tão apetecível, foi votada.
Coragem e valentia não são excepcionais em tempo de guerra, mas Alex só tem 11 anos e a sua história é, na verdade, sobre o desejo de alguém vencer a crueldade e a injustiça.

quinta-feira, 26 de março de 2009

O Romance das Ilhas Encantadas, um dos livros postos à prova na Fase Distrital do CNL


Em tempos que já lá vão um nigromante, isto é, um homem que conhecia as artes mágicas, encantou as ilhas do grande mar Oceano. Só as mulheres marinhas (ou, por outro nome, as ondinas), que eram filhas do mar e conheciam todos os seus segredos, sabiam o paradeiro certo. E eram elas que as protegiam dos estranhos, sobretudo dos moiros, desviando navios e espalhando nevoeiros para as ocultar. O porquê desse encanto e a gesta dos marinheiros que o ousaram desfazer constitui o cerne desta história maravilhosa que o grande escritor Jaime Cortesão quis legar aos mais jovens.

Jaime Zuzarte Cortesão (1884-1960) foi um dos principais mentores de «Renascença Portuguesa». Poeta de grande valor — ombreou com Teixeira de Pascoaes — legou-nos também uma obra importantíssima no domínio da História de Portugal.


Neste livro "Jaime Cortesão combina a componente histórica com a maravilhosa, criando uma narrativa de aparência lendária, associada à descoberta das ilhas dos Açores e da Madeira.
A presença de alusões a personagens referenciais e a factos históricos, como é o caso da reconquista cristã, de D. Afonso Henriques, do conde D. Henrique e dos «descobrimentos» portugueses, não inibe o seu cruzamento com uma certa ideia mítica acerca da génese da identidade nacional portuguesa, conotada com uma dimensão atlântica e marinheira dos portugueses que a narrativa recupera. A filiação marinha (e maravilhosa) do povo português explica o seu destino atlântico e descobridor e justifica, deste modo, o seu passado e o seu presente. As ilustrações são igualmente interessantes. As aguarelas que pontuam o texto dão conta da ambiência marinha e até da dimensão épica da intriga, valorizando ambientes e heróis."

adaptado de A Casa da Leitura

segunda-feira, 23 de março de 2009

A Corte do Norte, de Agustina Bessa-Luís


Este ano assinala-se o ‘Ano Agustina', uma iniciativa da Guimarães Editores, apoiada pelo Instituto Camões (IC), para assinalar a publicação da Opera Omnia de Agustina Bessa-Luís e o 55º aniversário da 1ª edição de A Sibila.


A Corte do Norte, de João Botelho, é o filme estreado em 19 de Março que adapta para o cinema o romance histórico homónimo de Agustina Bessa-Luís.


Sinopse do livro A Corte do Norte

A Corte do Norte é um dos mais belos e enigmáticos romances de Agustina Bessa-Luís. Para isso contam não só o talento eterno e o altíssimo momento da autora na época (1987), mas também o cenário (a Madeira) e um enredo pós-romântico de traições, paixões e desacertos. A história de cinco gerações de mulheres, a partir de Rosalina de Souza, mulher de temperamento forte e decidido, ex-actriz e prostituta (na época eram sinónimos), que em 1860 abandonou o marido, os filhos e o título de baronesa de Madalena no Mar, indo refugiar-se na Corte do Norte, e deixando à família o mistério sobre o seu destino. Em 1960, Rosamund, trineta de Rosalina, decide reconstruir a história de sua família e tenta desvendar o mistério sobre o que aconteceu com a trisavó.


“...é um tratado de livres caudais do engenho e da arte de escrever. A imaginação, como as levadas na Ilha da Madeira, salta por todas as fragas e produz lagos e cataratas. Nada a prende e tudo a modela. Ler Agustina Bessa-Luís é, neste caso, um exercício de colaboração na escrita. Porque o leitor participa no que inventa e no que deduz, e o romance resulta do que todos argumentam e podem supor.”
A Editora

sábado, 21 de março de 2009

Poemas de Deus e do Diabo, de José Régio


José Régio é o pseudónimo de José Maria dos Reis Pereira. Em 1927, juntamente com João Gaspar Simões e Branquinho da Fonseca, fundou a revista "Presença" e iniciou um movimento que viria a marcar profundamente a literatura portuguesa, constituindo uma espécie de 2º modernismo.
A sua estreia literária data de 1925, altura em que publicou a sua obra mais conhecida Poemas de Deus e do Diabo. Nessa obra é muito perceptível uma tendência introspectiva, procurando apreender poeticamente as contradições psicológicas do ser humano, permanentemente dividido entre o bem e o mal. Mergulhado nesse conflito interior, o homem aparece sempre como um ser inacabado, imperfeito, permanentemente dividido...


CÂNTICO NEGRO

Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,E nunca vou por ali...


A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...


Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...


Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...


Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.


Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!


José Régio in Poemas de Deus e do Diabo

segunda-feira, 16 de março de 2009

DIA MUNDIAL DA POESIA - 21 de Março


Leio-te

Leio-te
Agora sei que era a tua voz que me seguia
pelas esplanadas de cio
sem palavras
A voz do tempo onde
o silêncio se sente como agulhas
picando os lábios
lentas lâminas
cercando as tardes
e a fome
sempre a fome da tua poesia
o corpo subtil da palavra
pele impossível
desta manhã que arranco à alma das paredes
Leio-te
como quem segue o voo de um pássaro
em nuvens que não sabe
Talvez o quase imponderável
seja o grito claro de sílabas
voando inclinadas de encontro às bocas
Ler-te
é pois colocar dedos neste silêncio
ávido de poemas solares
páginas intermináveis
abissais
como o centro da terra
onde funda a sua lava o canto do lume
em sonetos que o vesúvio grita

João Martim 21 de Março de 2004

domingo, 15 de março de 2009

Uma Casa na Escuridão, de José Luís Peixoto


Sinopse

"A casa vive um mês por ano na escuridão. O escritor está fechado na casa, no seu mundo.A escrita e a mulher amada brotam de um único lugar onírico, luminoso. Na casa vivem também uma mãe embrutecida pela dor, uma escrava silenciosa, uma multidão de gatos que se apropriam do espaço e dos humanos que o habitam.
O mundo fora da casa é um país que vive na impassibilidade das regras estabelecidas, arrastado pela inércia, depurado pelas prisões, embalado pela literatura. Mas eis que chegam os invasores e, com eles, a escuridão absurda que a barbárie daquela civilização já não sabe como encarar nem combater. A casa transforma-se então num asilo de seres mutilados, violados, brutalizados quotidianamente. Mas é também, ainda, um jardim: um jardim de infância dos filhos dos invasores.
Amputado na sua capacidade de escrever, sonhar e amar, o escritor é salvo da morte em vida apenas pela força amorosa das crianças, transportado para o absoluto pelo manto unificador da podridão que se abate sobre todos os humanos, invasores e invadidos.
Podendo ser lido como uma magistral alegoria do fim de uma civilização que é, sem dúvida, a nossa ou como uma denúncia, violenta na sua doçura, da barbárie que nos submerge sem que nos demos verdadeiramente conta, Uma Casa na Escuridão é um romance onde José Luís Peixoto consegue um equilíbrio miraculoso entre o pensamento do negrume que nos ameaça enquanto espécie e o júbilo de ternura que nos resgata e que resgata, sempre, a escrita do autor para um espaço verdadeiramente intocado e novo."