quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Medo, de Jeff Abbott

Sinopse
Miles Kendrick está no Programa de Protecção de Testemunhas para se esconder da Máfia. Mas nenhum programa o protege de ser atormentado pela morte do amigo. Com a ajuda da psiquiatra Allison Vance, Miles tenta agarrar-se ao que lhe resta da sua lucidez para recordar os acontecimentos daquela noite trágica.Depois de um ataque bombista ao seu escritório, Allison morre e Miles vê-se apanhado numa conspiração mortal que se repercute muito para além dos seus piores pesadelos. Perseguido por um ex-detective do FBI, mas apoiado por um ex-soldado e uma mulher reclusa na sua própria casa, Miles tem pela frente uma batalha para recuperar a sua vida – ou para simplesmente se manter vivo.
Comentário
Conheço poucos escritores que consigam interceptar uma boa história com um suspense arrebatador e um ritmo sem precedentes…o amigo Jeff está quase lá, pois tem evoluído bastante ao longo dos livros que teve a amabilidade de escrever, conseguindo cativar os sentimentos mais íntimos dos leitores e manipular a história de uma maneira inimaginável. Um bem-haja a este homem que ainda vai fazer correr rios de tinta (ou não…).
Neste seu livro, ele tenta despertar em nós, usando habilidosamente as suas personagens, um sentimento cortante e aflitivo, que também nos leva a momentos de coragem e determinação, estruturando e levando o enredo ao limite do imaginável. Através do conhecimento dos nossos medos mais profundos – gerados pelas partidas psicológicas de que as personagens são alvo – consegue gerar conflitos de interesses e intrigas entre eles de modo a que estes ultrapassem as suas dificuldades. Saliento ainda que a forma como as histórias das personagens se entrecruzam é bastante criativa, misturando sentimentos e paixões com a inevitável tragédia em que todos se encontram. Outro bem-haja ao homem que já deve ter as orelhas vermelhas.
MEDO é um livro que até é giro e que, parecendo que não, tem todas estas coisas que se podem resumir de 430 páginas lidas. Agora na parte das ideias soltas, aproveito para referir que este livrinho andou a bisbilhotar em organizações mafiosas, tem aqui cenas puxadinhas (e quando digo puxadinhas é…é cenas de interesse elevado), possui personagens que sofrem de stress pós-traumático (acho que é um sinónimo para “malucas”) e um final extremamente comovente (eu tirei uma foto a mim próprio, porque me encontrava a chorar).
Espero que passem nem que seja uma vista de olhos e não vão logo direitos ao final, porque podem não ter lenços à mão e assoarem-se às mangas é bastante…duvidoso.

Pedro Oliveira, 11ºA

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

O Regresso, de Victoria Hislop


Nas ruas calcetadas de Granada ecoam música e segredos. Sónia Cameron não sabe nada sobre o passado chocante da cidade; ela está lá para dançar. Mas num café sossegado, uma conversa casual e uma colecção intrigante de fotografias antigas despertam a sua atenção para a história extraordinária da devastadora Guerra Civil Espanhola.
Setenta anos antes, o café era a casa da unida família Ramirez. Em 1936, um golpe militar liderado por Franco destrói a frágil paz do país, e no coração de Granada a família testemunha as maiores atrocidades do conflito. Divididos pela política e pela tragédia, todos têm de tomar uma posição, travando uma batalha pessoal enquanto a Espanha se autodestrói.


quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

A vida num sopro, o último romance de José Rodrigues dos Santos

Através da história de uma paixão que desafia os valores tradicionais do Portugal conservador, este fascinante romance transporta-nos ao fogo dos anos em que se forjou o Estado Novo. Portugal anos 30.
Salazar acabou de ascender ao poder e, com mão de ferro, vai impondo a ordem no país. Portugal muda de vida. As contas públicas são equilibradas, Beatriz Costa anima o Parque Mayer, a PVDE cala a oposição.
Luís é um estudante idealista que se cruza no liceu de Bragança com os olhos cor de mel de Amélia. O amor entre os dois vai, porém, ser duramente posto à prova por três acontecimentos que os ultrapassam: a oposição da mãe da rapariga, um assassinato inesperado e a guerra civil de Espanha.
Através da história de uma paixão que desafia os valores tradicionais do Portugal conservador, este fascinante romance transporta-nos ao fogo dos anos em que se forjou o Estado Novo.
Com A Vida num Sopro, José Rodrigues dos Santos traz o grande romance de volta às letras portuguesas.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Um belo poema para começar o ano!


Recomeça...


Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.


E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças…

Miguel Torga

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Uma Homenagem à Língua Portuguesa


A VIAGEM DO ELEFANTE, de José Saramago

Estamos em 1551 e D. João III quer agradar a Maximiliano da Áustria, casado com uma filha do Imperador Carlos V. Oferece-lhe então um elefante indiano, como presente de casamento tardio mas original. Um gesto político numa época de cisões religiosas, em que o paquiderme simboliza o esplendor lusitano.
Esta é a odisseia do elefante Salomão e da sua atribulada travessia pela Europa. Um olhar sobre a humanidade, em que o sarcasmo se conjuga sabiamente com a compaixão pelas fraquezas humanas.

" Se A Viagem for o último, dá-me uma grande satisfação. Porque não sendo um testamento, é, além do mais, uma homenagem à Língua Portuguesa."
José Saramago in Jornal de Letras

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

A Voz do Coração, de Rosa Lobato de Faria


Apesar do consumismo, o Natal continua a ser uma das alturas mais felizes do ano . Ler livros e contar histórias há muito que já entrou nos hábitos de várias famílias, nesta quadra tão especial.
O novo livro de Contos de Natal de Rosa Lobato de Faria, intitulado “A Voz do Coração”, tema de um dos contos, certamente que fará as delícias de miúdos e graúdos. As ilustrações, assinadas por Rita Antunes, estão muito bem conseguidas. E os contos da conhecida escritora também são uma delícia. Simples ao máximo, mas é nesse simplicidade que nos revemos! Tocou-me especialmente o conto em que o desejo de Natal era apenas : “que o meu pai saísse às 17h30”. Não seríamos todos mais felizes se conseguíssemos chegar a casa a horas de brincar com os nossos filhos? Esta é mais uma sugestão de leitura e presente de Natal! Afinal não podemos deixar morrer a ideia romântica da lareira acesa e de uma criança sentada num colo a ouvir contar uma história.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Sonhos de Natal, um livro de António Mota



Sonhos de Natal é mais um título a que, nesta quadra, apetece voltar. Na verdade, este livro de António Mota, com ilustrações de Júlio Vanzeler, tem o dom especial de nos fazer conviver com um singular ambiente natalício, já esquecido, talvez, por muitos de nós. Nesta narrativa relatada por uma voz infantil e sempre na primeira pessoa, a acção situa-se num pequeno espaço rural, a aldeia Pedra de Hera, e tem como protagonista o próprio narrador. Manuel, o narrador, conta, assim, a sua própria história, uma história que se passou há muito tempo, num tempo em que televisão, vídeo e jogos de computador ainda não existiam e em que o Natal era preparado com o tempo, com a paciência e com a atenção que, por exemplo, a apanha do musgo e a elaboração de um presépio exigem. O Natal de Manuel e dos seus companheiros de escola e de aldeia é, com efeito, o Natal na sua forma essencial, é um Natal em que crianças e idosos partilham tarefas, em que se sonha com o Menino Jesus, em que se espera ansiosamente pela manhã para ver os presentes deixados no sapatinho ou em que a família se reúne em volta de uma mesa na qual não falta o bacalhau cozido. O espírito de amizade, de união e de entreajuda, bem como a alegria do reencontro familiar – o pai de Manuel, ausente no Brasil, regressa a casa – ou uma série de quadros típicos do imaginário infantil – como o medo da noite e das bruxas – pontuam toda a narrativa, despertando empatia no leitor.
Deixamos aqui um excerto da preparação do presépio: «A primeira coisa a ir para dentro da gruta foi o musgo. Com muito jeito alcatifámos o chão com mantas fofas e verdes que fomos tirando das cestas. As heras foram crescendo em redor. E, de repente, o interior da gruta transformou-se numa serra verdinha, com arvoredo e cheia de pasto, a precisar de um rebanho de ovelhas e de alguns pastores. (…) Feita com espigas de trigo, saiu da caixa uma manjedoura. Era uma boa ideia. Se chovesse ou nevasse, aquela manjedoura serviria para lá pôr o feno seco para o rebanho comer. Outro pastor chegou. Aquele pastor, que era ainda rapazinho e tinha um chapéu roto na cabeça, foi pôr-se junto dos cordeiros. E fez muito bem. Aquela serra não estava vigiada. Se aparecesse um lobo, os cordeiros, coitaditos, nem sequer teriam tempo de chamar pelo cão. Depois apareceu uma vaca (…). Do outro lado veio encostar-se um burrinho. Logo depois apareceu S. José e foi encostar-se à manjedoura. Atrás de José, veio Maria. O burrinho, a vaca, José e Maria estavam a olhar para a manjedoura. Bem se via que estavam preocupados. O bafo muito quente saía das narinas da vaca e do burrinho e aquecia a palha da manjedoura. Uma estrela prateada apareceu no cimo da gruta, bem perto de um galo que não parava de cantar. Finalmente, muito gorducho, sempre a rir, só com uma fralda de pano no corpo, o Menino Jesus foi posto na manjedoura. Depois ficámos bastante tempo a olhar. A olhar. Calados. O silêncio era tão grande naquela gruta que até parecia que ouvíamos o Menino Jesus a respirar tranquilamente.»

Sonhos de Natal é, pois, um livro em que a infância e a memória andam de mãos dadas com um delicado espírito natalício. Sonhos de Natal, de António Mota e Júlio Vanzeler, uma leitura pela tradição e pelos afectos.